"Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro"


Novembro é o mês dedicado à conscientização e ao alerta aos cuidados e riscos que o nascimento prematuro pode ocasionar. Este ano, o “novembro roxo” enfatiza a importância do acompanhamento das crianças nascidas prematuras, nos cuidados e na atenção diferenciada mesmo depois da alta hospitalar, garantindo o crescimento e o desenvolvimento saudável. Além disto, em 2026, a OMS (Organização Mundial da Saúde) oficializa o dia 15 de novembro como o Dia Mundial da Prematuridade.
Cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuros por ano, totalizando 10 % dos nascimentos no mundo. No Brasil, a taxa de nascimentos pré-termo é de 11 a 12%, cerca de 300 mil nascimentos no ano.
O nascimento pré-termo (anterior a 37 semanas gestacionais) e baixo peso ao nascer (inferior a 2500g), compõem uma situação singular que coloca em risco o desenvolvimento da criança nascida sob estas condições, podendo estar associada a alterações no neurodesenvolvimento.
Vários estudos apontam para a necessidade de Programas de acompanhamento de prematuros no intuito de garantir o acesso à assistência especializada, proteger a saúde, promovendo o crescimento saudável e o pleno desenvolvimento e minimizar eventuais prejuízos, por meio de intervenção e encaminhamentos. Além disto, o acompanhamento pode fornecer suporte especializado às famílias.
Ao longo dos anos diferentes modelos de programas de acompanhamento foram criados pelo mundo todo. De forma geral, o cuidado com o prematuro se inicia na UTI neonatal, por equipe multiprofissional e tem continuidade após alta hospitalar em atendimentos ambulatoriais.
Entre os profissionais que geralmente constituem as equipes estão os fonoaudiólogos, atuando em diferentes frentes, garantindo o atendimento especializado na UTI neonatal e no acompanhamento do desenvolvimento de Linguagem, fala, audição e motricidade oral.
O atendimento especializado em fonoaudiologia permite acompanhar e caracterizar o desenvolvimento das habilidades comunicativas dos prematuros e assim propor medidas de intervenção de acordo com as necessidades de cada criança e sua família.
O acompanhamento do desenvolvimento de Linguagem e fala é recomendado principalmente durante os primeiros anos de vida, até que a aquisição da comunicação verbal oral esteja concluída. Em situações em que há desvios neste processo, ou há risco para a aquisição da linguagem escrita, o acompanhamento deve ser mantido como garantia para medidas de intervenção e otimização das habilidades comunicativas da criança.
Desta forma, o impacto do acompanhamento do desenvolvimento de Linguagem nos prematuros pode ser observado nas interações sociais, na performance acadêmica e no sucesso profissional.
Para saber mais:
Cardinalli ARI, Xavier C. Aspectos do desenvolvimento de Linguagem em crianças com história de prematuridade. Temas sobre desenvolvimento 1995; 4(22): 18-32.
Isotani SM, Perissinoto J. Repercussões no neurodesenvolvimento da Linguagem. In: Kopelman BI, Goulart AL. (Org.). Prematuridade Prevenção, diagnóstico e tratamento de suas repercursões. 1ed.São Paulo: Atheneu, 2023, v. 1, p. 265-273.
Kilbride HW, Vohr BR, McGowan EM, et al. Early neurodevelopmental follow-up in the NICHD neonatal research network: Advancing neonatal care and outcomes, opportunities for the future. Semin Perinatol 2022;46:151642.
Saigal S, Doyle LW. An overview of mortality and sequelae of preterm birth from infancy to adulthood. Lancet 2008; 371:261–9.
WHO. https://www.who.int/campaigns/world-prematurity-day/2026. Acesso em 02 novembro de 2026.
Zhou Q, Cao Y, Erejep N, Li L, Xiu W, Shi J, Cheng R, Zhou W, Lee SK. Chinese Neonatal Follow-Up Network: a national protocol for follow-up assessment and collaborative research to improve developmental outcomes of high-risk preterm infants. BMJ Open 2025;15:e084297.




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