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Agosto: Mês da Primeira Infância

  • Foto do escritor: Dra Jacy Perissinoto
    Dra Jacy Perissinoto
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A Primeira Infância é o ciclo de desenvolvimento global, transição cognitiva, consolidação da alfabetização básica e da socialização considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) do nascimento até os 8 anos. Neste período, os 1.000 dias até os 2 anos de idade configuram a Primeiríssima Infancia, considerada o momento mais crítico para o crescimento físico e a plasticidade cerebral.

Para um desenvolvimento harmônico e de potencial máximo, a OMS preconiza a adequação de atenção à: saúde, nutrição, segurança e proteção, cuidados responsivos aos sinais do bebê e oportunidades de aprendizado precoce. Destaca diretrizes para estilo de vida e ambiente indicando atividades físicas focadas no brincar livre, noites de sono de qualidade e a redução drástica do tempo de tela passivo, especialmente, para menores de 5 anos.

Com este foco amplo sobre a primeiríssima infância, o desenvolvimento da linguagem é o alicerce da cognição, da socialização e da construção da identidade. Nessa fase de altíssima plasticidade cerebral, a interação diária por meio de gestos, fala e brincadeiras cria e fortalece vínculos, amplia experiencias e sustenta o crescimento da criança.

Neste período a criança desde muito jovem responde aos sons e localiza os sons do ambiente; reconhece, responde e chama a atenção aos cuidadores com olhar, sorrisos e gestos; emite sons de vocalização, balbucio em brincadeiras solitárias e em respostas à conversa dos adultos; copia e imita ações, inicia e mantem brincadeiras corporais e sonoras. Ao final do 1º ano a criança fala palavras isoladas e vai combinando-as em pequenas frases para nomear, mostrar e pedir objetos e ações, mostrar suas necessidades e desejos e mantém diálogos ativos.

A construção da linguagem infantil é conjunta e o adulto mediador nas interações tem impacto evidenciado no cotidiano e significativamente demonstrado em pesquisas sobre o desenvolvimento cognitivo, social e linguístico da criança. Em ações quase que intuitivas, em diferentes tempos e culturas, o cuidador canta, aponta, mostra novidades, conta histórias, lê em voz alta, transforma o ambiente em um campo rico de comunicação social.

Na dinâmica de interação entre o adulto e a criança, observar já é participar do desenvolvimento.

  Passos simples no cotidiano envolvem reconhecer a prioridade da interação desde o início da vida, como, por exemplo:

·        Acolher e responder à criança em seu balbucio

·        Conversar usando frases claras, nomeando os objetos e ações

·        Partilhar a atenção a objetos, figuras, ler livros infantis e comentar

·        Cantar e usar a versatilidade do ritmo da fala em brincadeiras.

·        Apresentar variedade de sons do ambiente e de músicas

·   Priorizar a interação entre pessoas e suas possibilidades comunicativas e, principalmente, evitar a exposição a dispositivos eletrônicos

 

Na rotina de clínica fonoaudiológica temos conversado com os pais, ou adultos interlocutores de crianças jovens com alterações neste processo de desenvolvimento e, frente às suas demandas mais recorrentes, consideramos a ampliação dos seus conhecimentos sobre as características do desenvolvimento de linguagem e das informações sobre atividades e situações facilitadoras para a comunicação de seus filhos.

Estudos sobre o desenvolvimento de pessoas com transtornos de linguagem e condições como TEA são unânimes no alerta para a importância da identificação desses marcadores nos processos cognitivos e de comunicação, na primeiríssima infância, para a estimulação e valorização de elementos facilitadores das trocas comunicativas no contexto de cada família.

O cuidado cotidiano de crianças com comprometimento no desenvolvimento pode ter diversas implicações para a dinâmica familiar, desde a sobrecarga física e mental decorrente de atribuições da vida cotidiana, altos níveis de estresse e baixo índice de qualidade de vida para seus familiares.

Assim, é reforçada a importância do reconhecimento e suporte às famílias no processo ativo na aquisição e desenvolvimento da linguagem da criança.


Para saber mais:

PERISSINOTO, J.; ISOTANI, S. M.; TAMANAHA, A. C.. Processos de intervenção no atraso de linguagem infantil In: Tratado de Linguagem: perspectivas contemporâneas, ed.2a. Ribeirão Preto: Book Toy, 2023, p. 249 - 256.


PERISSINOTO, J.. Transtorno do espectro do autismo sob a perspectiva da Linguagem: sinais de alerta e detecção precoce do TEA In: e-book: Estudos de linguagem no transtorno do espectro do autismo, ed.1a. , 2022, p. 5 - 10.

 

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