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Dicas para amenizar a quebra de rotina e planejar o período de férias de crianças com TEA

  • Foto do escritor: Dra Ana Carina Tamanaha
    Dra Ana Carina Tamanaha
  • 1 de jan.
  • 2 min de leitura

 

 

O período de férias pode ser um momento desafiador para as famílias de crianças e adolescentes com TEA, pois a ruptura da rotina escolar e das sessões de terapia, pode gerar desconforto e desencadear estresse e ansiedade. Para manter uma estrutura diária previsível garantindo que a criança se sinta segura e tranquila busque manter uma rotina visual das atividades ao longo da semana. É possível montar um calendário de férias semelhante ao de um feriado ou final de semana, especialmente se a criança já estiver acostumada com um quadro de rotina.

No entanto, essa previsibilidade também pode acentuar a ansiedade causando muita expectativa e atrapalhando o sono, por exemplo. Neste caso, não antecipe as informações em demasia, forneça as dicas visuais sobre a viagem, os passeios, com fotos ou vídeos curtos, aos poucos.           

Mantenha os horários das refeições e do sono, seja em casa ou durante a viagem. 

      Garanta que a criança possa acessar os brinquedos que auxiliam a sua regulação sensorial e emocional e as suas brincadeiras prediletas. Intercalar as atividades lúdicas prediletas com brincadeiras novas pode facilitar a adaptação da criança à novidade.

Se estiver fora de casa, crie um ambiente seguro, como um cantinho com almofadas e cobertores, onde a criança possa relaxar e se recuperar dos estímulos excessivos. Respeite o tempo de recuperação de sua criança ou adolescente. Forneça pausas sempre que necessário.         

           Se a programação do dia envolver passeios, prefira horários menos disputados. Isso porque apesar da legislação brasileira ter evoluído nem todos os estabelecimentos oferecem condições necessárias para um passeio agradável. A prioridade em filas não garante por si só que a criança não vá enfrentar desafios como a sobrecarga sensorial, seja ela auditiva, tátil e/ou visual. Faça uma busca antecipada por informações sobre visitas adaptadas, horários menos disputados, nos locais de interesse. Em várias cidades há rede de cinemas que promovem sessões azuis com som mais baixo, iluminação leve e ocupação reduzida. Há estádios de futebol que dispõem de espaços sensoriais para torcedores com TEA. Vários museus também oferecem visitas adaptadas com horários previamente agendados. Levar consigo uma mochila com alimentos prediletos, protetores auriculares, fones com abafador e itens de preferência (brinquedos sensoriais, objetos de conforto) também podem ajudar.

Garantir o acesso aos dispositivos de comunicação alternativa e aumentativa (CAA) para as crianças e adolescentes com dificuldades severas de comunicação é essencial, para que elas tenham sempre a possibilidade de se comunicar.

Considere informar os funcionários ou pessoas que estejam participando das atividades, sobre a condição de TEA da criança ou adolescente, pois isso pode ampliar a rede de apoio durante a viagem ou passeios e promover momentos de fortalecimento das interações sociais e de comunicação para todos.

Tenha em mente que a organização progressiva da rotina no período de férias também facilitará a retomada das atividades cotidianas e acadêmicas.


Para saber mais:

Bordini D et al. Desvendando o Espectro Autista: diagnósticos diferenciais, comorbidades e tratamento. BookToy, Ribeirão Preto, 2024.

Tamanaha AC, Perissinoto J. Transtorno do Espectro do Autismo - Como implementar estratégias para comunicação. BookToy. Ribeirão Preto, 2019.

 

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