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A importância dos gestos no desenvolvimento da linguagem

  • Foto do escritor: Dra Jacy Perissinoto
    Dra Jacy Perissinoto
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A linguagem é o processo inerente ao homem que garante a qualidade de sua comunicação e da interação na sociedade e cultura. O desenrolar do processo da linguagem envolve e integra fatores biológicos e psíquicos do indivíduo em seu ambiente físico e interpessoal.

Assumimos que o ser humano tem competência inata para a comunicação e   que ao longo dos primeiros anos de vida se desenvolverá e se manifestará através de sofisticados comportamentos como a mímica corporal, os gestos e a produção fonoarticulatória e mais tarde a produção gráfica.

As pesquisas sobre as competências do recém-nascido estudada nas primeiras horas e meses de vida, indicam a sua preferência pelo parceiro humano a qualquer outro objeto. 

Entre os comportamentos inatos do recém-nascido, tais como o choro, a tendência a fixar o olho no olho do parceiro humano, o agarrar-se ao corpo do adulto e o sorriso reflexo parecem ser a dotação constitucional para estabelecer relações de reciprocidade e de comunicação com o cuidador. 

A preferência por padrões vocais humanos e em especial aqueles produzidos por sua mãe, evidencia no recém-nascido, já ao nascimento, a sua disposição comunicativa com outros humanos. Ao redor de oito semanas pós-natal a produção de vogais e o sorriso atraem o adulto para o bebê, o qual reage a esta presença aumentando a produção sonora e mantendo fixo o seu olhar no olhar do adulto. Tais comportamentos comunicativos estão dirigidos para atrair e manter a interação entre o bebê e o adulto.

Durante o primeiro ano de vida estes esquemas se organizam e sofisticam e ao final deste período emerge o "gesto de apontar". O gesto de apontar é uma clara indicação da intenção de comunicar uma vontade ou estado mental para o outro humano.

  A criança olha para o olho da mãe e para o objeto desejado enquanto o aponta, com a intenção de compartilhar.

  Antes de um ano de idade, crianças começam a se comunicar intencionalmente através de gestos e esses gestos são acompanhados por vocalizações. Essas vocalizações vão ficando cada vez mais sofisticadas. Por volta dos 14 meses as palavras e os gestos se complementam. Nos meses seguintes, o repertório de palavras aumenta muito, mas os gestos não são simplesmente substituídos pela fala. Eles são usados conjuntamente.

Assim, podemos entender os gestos e a mímica corporal são importantes meios de expressão da linguagem e, também, reconhecer que a percepção visual se associa à percepção auditiva na conquista dos códigos comunicativos e contribui para a discriminação, codificação, armazenamento de gestos, fonemas e palavras.

  O uso do gesto é um fenômeno no desenvolvimento e mostra características de usos similares em diferentes culturas. Os estudos sobre esta evolução sugerem uma continuidade entre o desenvolvimento antes da fala e a fala- pré-linguístico e linguístico-, como a estreita relação entre gestos e palavras que se mantém até a vida adulta.

  Pesquisadores do desenvolvimento infantil destacam habilidades sociais manifesta em gestos para partilhar atenção. Dentre estas, estão o uso e compreensão de gestos convencionais como apontar ou mostrar objetos, usar o contato visual para atrair e / ou dirigir a atenção do interlocutor e compartilhar objetos e eventos.  

  Portanto, antes de falar, as crianças são hábeis em se comunicar, com significação e intenção. Quando as primeiras palavras surgem, muito da linguagem já se desenvolveu. Acredita-se que o gesto tenha um efeito direto neste processo, atuando como apoio para a compreensão e expressão da criança.


Para saber mais:

Perissinoto, J.; Isotani, SM.; Tamanaha, AC. Fonoaudiologia - Desenvolvimento da Linguagem In: Odontopediatria - A Transdisciplinaridade na Saúde Integral da Criança, ed.1ª. Barueri-SP: Editora Manole Ltda., 2015, p. 231 - 241.

 

Cavalcante MCB. Contribuições dos estudos gestuais para as pesquisas em aquisição da linguagem. Ling Ensino. 2018; 21:5-35.

 

 

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